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terça-feira, novembro 30, 2010

Dois textos sobre as cruzadas

Dois sites que me foram generosamente enviados.
Em baixo fica o texto do primeiro link.

Falar das Cruzadas sem mencionar o milenar expansionismo islâmico é um erro que nenhuma pessoa minimamente honesta intelectualmente pode cometer.

No email que me endereçou, a jovem estudante mostrava-se indignada com a Igreja por causa das Cruzadas. Fiquei pensando se respondia ou não. Afinal, de que adianta gastar meu latim com esse tipo de bobagem? Que poder teriam algumas palavras minhas contra a ação de um professor mal intencionado, o ano inteiro, dentro da sala de aula?

Decidi por uma estratégia mais longa e retornei uma pergunta bem curta: "Teu professor, ao falar sobre as Cruzadas, mencionou alguma vez a palavra Jihad ou o expansionismo islâmico?" Ela me respondeu que nunca ouvira falar disso e se mostrou surpresa por eu saber que ela fora introduzida ao tema das Cruzadas por um professor. A menina deve ter me considerado um gênio...

Tem-se aí excelente exemplo de algo que já foi objeto de outros textos meus: a malícia de tantos professores que se valem da cadeira de História para seus fins ideológicos, usando o ataque insidioso à religião como meio para agir. Afastam os jovens da Igreja e da palavra de Deus e os introduzem, com gravíssimo prejuízo, nos ritos e devoções do materialismo, do marxismo e do relativismo. Daí para o hedonismo é um passo de dedo.

Desmancham com os pés da mentira e da mistificação o que os pais tenham ensinado em casa. Espinafram a Igreja por causa das Cruzadas do século 12, mas jamais mencionam os cem milhões de mortos pelo comunismo no século passado. Decorrerão algumas décadas até que esses jovens, já maduros, percebam, na experiência da vida, o engodo a que foram conduzidos pelos falsos mestres. Quem não tem relatos semelhantes?

A primeira Cruzada iniciou no ano de 1096 e a nona terminou em 1272. A palavra refere, portanto, uma série de episódios que se encerraram há 738 anos, envolvendo a retomada de Jerusalém. Veja agora, leitor, se é possível falar honestamente sobre as Cruzadas sem mencionar a Jihad. Jerusalém, no início do século XII, integrava o Império Romano do Oriente, sob o domínio de Bizâncio. Era uma cidade cristã, portanto, até ser conquistada pelos sassânidas (persas) e, em seguida, pelos seguidores de Maomé.

Este personagem, que surgira na cena histórica alguns anos antes, havia estabelecido as bases religiosas do Islã e dera início à Jihad e à Guerra Santa. Em apenas oito anos, formara um Estado árabe sob seu comando. Em 622, conquistara Iatrib (Medina), passando na espada os judeus da cidade. Em 630 retomara Meca, de onde fora expulso por suas ideias monoteístas. E morrera em 632. Seis anos mais tarde, seu sucessor Omar entrava em Jerusalém. Um século mais tarde, o Islã já estendia seus domínios sobre a Pérsia, a Palestina, boa parte do Império Bizantino, o norte da África, a Península Ibérica e atacava a Europa por vários flancos. É possível mencionar as Cruzadas, com seus episódios grotescos, e nada contar sobre isso?

Mas as coisas não pararam aí. Quando o Papa Urbano II, no concílio de Clermont-Ferrand (1095) convocou a Primeira Cruzada, Jerusalém havia sido tomada pelos otomanos, que instalaram um regime de intolerância à presença dos cristãos, até então respeitada nos termos ajustados com Bizâncio durante a conquista da cidade em 636. Clermont-Ferrand fica próxima ao centro geográfico da França. Pois enquanto ali se realizava o concílio, ainda fumegavam, no centro da atual Espanha, os destroços deixados pela guerra que retomara a região de Toledo para os cristãos e para o reino de Castela. Os muçulmanos estavam ali havia três séculos e levariam outros 400 anos para abandonar toda a península.

Mas disso, nas aulas de história, fala-se pouco, muito pouco, quase nada. E quando se menciona a Tomada de Constantinopla, em 1453, o assunto é tratado como fato isolado, perfeitamente normal, e não como um ato de suprema violência e ganância imperial, geradora de um massacre que durou três dias e três noites, que coroou investidas iniciadas 800 anos antes e que encerrou mil anos de esplendor cristão naquela que foi a mais impressionante cidade de seu tempo! E nada, absolutamente nada se diz sobre o fato de que esse expansionismo, ainda insatisfeito, prosseguiu na direção oeste, sob o mesmo impulso, até a derrota final dos otomanos, diante dos muros de Viena, na batalha de 1683. Mas insistentes, violentas, conquistadoras e descabidas foram as Cruzadas...

Agora me responda o leitor: a derrota do grão-vizir Kara Mustafa Pasha em Viena decretou o fim das guerras santas? Encerravam-se, ali, as campanhas militares empreendidas pelos muitos impérios, dinastias, governos e províncias muçulmanas, ao longo desses mil anos iniciados com a Hégira e a tomada de Iatrib? Não, claro que não! O que são Al Qaeda, Hamas, Hizbolah, Fraternidade Islâmica e o amigo de Lula, Ahmadinejad, se não jihadistas que afirmam seguir as determinações de sua fé? Não eram jihadistas os tresloucados que se arremessaram contra as Torres Gêmeas?

E se alguém, leitor, lhe opuser que Jihad, no sentido religioso, é coisa diversa, que designa uma conquista pessoal interior, de natureza espiritual, saiba que isso é sublime e verdadeiro. Como também é verdadeiro, sem ser sublime, que Maomé II estava tão a serviço de sua Jihad em versão violenta quanto quem, hoje, veste um colete de bombas ou faz explodir uma estação de metrô em Londres. A imensa maioria dos muçulmanos são amantes da paz e vivem sua religiosidade de um modo sereno e harmonioso com as demais crenças e religiões em seu entorno. No entanto, é a pequena minoria violenta que mais uma vez, neste momento, se expressa de modo assustador nas páginas da história.

Escrevo todas estas linhas, bem além do habitual nestes textos semanais, para destapar a imensa fraude praticada por tantos professores de história. Para desmerecer o Cristianismo e a Igreja, eles se fixam nos episódios das Cruzadas, como algo sem causa e com as terríveis consequências que apontam. Algumas aulas mais tarde, porém, tratam da Tomada de Constantinopla como fato isolado, sem origem que mereça menção e tendo como consequência as Grandes Navegações. Convenhamos!


Nota do autor: esta é a mensagem que estou enviando à jovem estudante mencionada nas primeiras linhas deste texto.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Cruzadas, Torcidas e Retorcidas

A notícia seguinte foi enviada pelo Adalberto Felipe, a quem lhe agradeço o tempo dispensado.

Basicamente o que o artigo diz é levantar um pouco o véu da História, e mostrar que a "sabedoria" politicamente correcta que temos sido "ensinados"/indoutrinados não corresponde à verdade dos factos.

Cruzadas, Torcidas e Retorcidas

Percival Puggina

Suponho que o leitor tenha péssima imagem das Cruzadas. Considera-as momentos negros da história da humanidade. Mais ou menos assim: estavam os elegantes e cultos seguidores de Maomé postos em sossego, como Inês de Castro, colhendo o doce fruto de seus anos, quando irromperam os selvagens cristãos, em sucessivas investidas, tentando arrancar-lhes do peito a sua Jerusalém.

Essa imagem se formou em aulas de história, nas piadas e gracejos anticatólicos de cursinhos e universidades, e em criteriosas conversas de mesa de bar. As Cruzadas fazem parte da surrada coletânea de acusações com que se denigre a imagem da Igreja, sempre repetindo as mesmas coisas.

Seria desonestidade desenhar qualquer das Cruzadas como marcha de indivíduos exemplares, soldados valentes e leais, em busca da libertação do Santo Sepulcro. Entre os nobres propósitos da convocação feita em Clermont por Eudes de Châtillon, o papa francês, Urbano II - "Homens de Deus, homens eleitos e abençoados..." - e a massa humana que chegou a Jerusalém, havia enormes diferenças: dois anos de marcha, milhares de quilômetros e uma curiosa amálgama de santos (como S. Luis), guerreiros valentes e generosos (como Godofredo de Bulhões) e bandidos interesseiros (como Boemundo). Tinha que acontecer de tudo um pouco e aconteceu mesmo.

Mas não é isso que ponho em discussão. O que pretendo suscitar é o que não se menciona sobre o contexto em que se desenrolaram tais fatos. Corria o século XI. Cavaleiros de Alá e muçulmanos de várias nacionalidades, havia quatro séculos, tinham tomado Jerusalém e ameaçavam a Europa por todas as suas penínsulas sobre o Mediterrâneo. E não o faziam com bons modos.

Havia mais de trezentos anos dominavam a Península Ibérica. Al-Hakim, em 1010, destruíra o Santo Sepulcro. Sucediam-se os ataques contra Bizâncio, de onde o basileu Aleixo Comneno pedia socorro ao Ocidente para defendê-la de investidas que se prolongaram por oitocentos anos e se completariam em 1453 quando Maomé II tomou a cidade em definitivo.

Aliás, a longa saga e a agonia de Bizâncio, as terríveis 72 horas que se sucederam à queda do último baluarte cristão no Oriente, quando milhares de cristãos foram decapitados (o sultão invasor prometera entregar a cidade a seus soldados por três dias), compõem uma das páginas mais terríveis da História. Mas não é verdadeiro que esse fato só entra no nosso conhecimento como "a tomada de Constantinopla pelos turcos" a dar causa às Grandes Navegações?

Essa é a narrativa histórica, cruzada, torcida e retorcida, zarolha e tendenciosa, nitidamente anti-cristã, que a cada dia mais se avoluma através de todas as formas de comunicação à disposição dos manipuladores. A quem servem? À verdade é que não é.

segunda-feira, abril 13, 2009

Distorções do "History Channel" em relação às Cruzadas

(Isto é o tipo de "informação" que é dado aos nossos jovens um pouco por todo o mundo ocidental. De repente, tudo o que é mau no ocidente é devido ao cristianismo, mas os muçulmanos, curiosamente, não têm culpas nenhumas no cartório. Será de admirar que depois de passar 20 anos a vêr lixo como este, os jovens não saibam o mínimo sobre o cristianismo e sobre a história?)

CRUSADESAESET.jpg

I recently taped and am watching a documentary, "The Crusades: Crescent and the Cross," on the History Channel. While it is more or less historically accurate—names, dates, figures—it suffers from two weaknesses, weaknesses that often take center stage whenever Islam is discussed in the West: 1) biases and apologetics on behalf of Islam, coupled with outright distortions concerning Christians and Christianity; and 2) anachronisms, by projecting the motives and worldview of modern man onto the motives and worldview of pre-modern man, both Muslims and Christians.

Take the first 10 minute segment, dealing with Pope Urban II’s call to the Crusades, including the famous Council of Clermont (1095) where Urban made his case. Urban is repeatedly portrayed as a sly politician wholly indifferent to Christianity and faith, simply interested in aggrandizing his power and authority.

Incidentally, we are never told how Islam “spread”—that Jerusalem (not to mention practically the entire Muslim world today) was ruthlessly conquered—even by the enthusiastic narrator who speaks with somber awe whenever touching upon Muslim prowess. Instead, the narrator informs us that the encroachment of the Turks upon Byzantium was “the perfect opportunity [for Urban] to enhance his political power.” And of course, the “historians” interviewed all agree.

The “British-Pakistani” Muslim historian, Tariq Ali, is repeatedly quoted as something of the final authority on the Crusades in this documentary. Sitting there pompously, he nonchalantly informs us that, if the popes were anything, they were “scheming, manipulating, intriguing” persons, always out to exploit.

So what if it is a historical fact, especially after the battle of Manzikert (1071, a little more than two decades before Urban’s call to the crusades), that the Muslim armies were conquering more Christian land and increasingly terrorizing and persecuting Christians? Or that the Fatimid caliph al-Hakim had recently desecrated and destroyed a number of important churches—such as the Church of St. Mark in Egypt and the Church of the Holy Sepulchre in Jerusalem—and decreed several, even more oppressive than usual, decrees against Christians and Jews? It is in this backdrop that Pope Urban called for the Crusades:
From the confines of Jerusalem and the city of Constantinople a horrible tale has gone forth and very frequently has been brought to our ears, namely, that a race from the kingdom of the Persians [i.e., Muslim Turks]…has invaded the lands of those Christians and has depopulated them by the sword, pillage and fire; it has led away a part of the captives into its own country, and a part it has destroyed by cruel tortures; it has either entirely destroyed the churches of God or appropriated them for the rites of its own religion (from the chronicles of Robert the Monk).

Despite the historically accurate nature of Urban’s less than subtle words, the narrator assures us that Urban’s speech was a “cunningly crafted piece of religious spin, spiced with exaggerated tales of Muslim atrocities against Christian pilgrims living in the Holy Land. It demonized the Turks.”



After all, “we”—the educated, modern, transcendent viewers—know better than that. Surely the Muslims and Turks did not behave that way—despite all the textual/eye-witness testimony to the contrary? Surely Pope Urban was simply the Medieval counterpart of the modern “Islamophobe”?

Next, we get a dramatization, supposedly of Urban, who looks more like a homeless, disheveled, madman, rabidly gesticulating and pontificating about the “wicked race of Saracens.” In other words, the modern viewer is supposed to go away with the view that Pope Urban was a closed-mind, intolerant, jingoistic racist—concepts that may make sense in the 21st century, but had no meaning in the 11th.

Again, the narrator, in a puzzled voice, states that thousands of Christians flocked to Urban’s call—but then he quickly explains their motivation: “prestige and honor.” He then goes on to say “But there was another attraction”—and here I thought he was going to mention sincere, though of course, "misplaced," religious conviction. Not at all; it was the “promise of great riches.”

And just to press the point, Tariq Ali, once again smugly assures us: “They wanted the money [of the Islamic world]. It was as simple as that.” Just in case the viewer doesn’t get the allusion that the crusaders were Western, evil, white imperialists out to seize the Muslims’ Medieval equivalent of oil—gold and treasure.

All of this is anachronistic. Insisting that the pope was out to exploit in order to aggrandize himself, or that the people were motivated by prestige, honor, and riches, and never once mentioning that maybe, just maybe now, both the pope and people were motivated by more sincere convictions (e.g., assisting fellow oppressed Christians) is highly problematic.

Medieval man was not modern man. While all men throughout all time have been prone to hypocrisy, greed, violence, etc., Medieval Christians, as opposed to their 21st century (secularized) counterparts, were, by default, much more guided by faith (whether this faith was misplaced or not is hardly the point).

“Secularism” was never an option; Christians firmly believed in heaven and hell, God and the devil. And these were motives. Thus, for a “history” program to discuss the Crusades without once alluding that the pope and the people may have actually believed that they were fighting for something more than “honor, prestige, and riches”—things that are intelligible within a secular, not religious, paradigm, hence the gross anachronism—is very misleading. One would have expected a channel devoted to “history” to be most on guard against projecting modern views and standards on people who lived a millennium ago.

One need not believe in God and religion; but one should still give them their due when discussing the Medieval world—just as one should give them their due when discussing the Medieval mentality of modern day jihadists.

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